Bairro dos Lopes: Apelo por passarela será encaminhado ao governador

Sem uma resposta concreta por parte da Artesp (Agência de Transporte no Estado de São Paulo) e concessionária AutoBAn, a reivindicação para construção de uma passarela na rodovia Anhanguera (KM 134,5), na região do bairro dos Lopes em Limeira, será encaminhada ao governador Geraldo Alckmin. O assunto foi discutido hoje (23/11) em audiência pública  na Assembleia Legislativa presidida pelo deputado Chico Sardelli e Celso Nascimento, autores do requerimento aprovado na Comissão de Transportes. 

Sardelli apresentou uma indicação ao governador para que determine à Artesp o início da construção da passarela, com a maior brevidade. “É o mínimo que podemos fazer diante da falta de segurança para os moradores. O que Limeira recolhe de impostos para o governo é menos de 1% do valor da passarela”. O deputado também lamentou a ausência de representante do Ministério Público da cidade na audiência.

No início dos trabalhos,  Sardelli citou o nome de 17 pessoas que morreram em acidentes nesse trecho da rodovia e de outras oito que estão vivas mas ficaram com deficiências. “Lutamos por essa causa nobre, pela segurança da população.  São vidas que estão sendo perdidas. Não se constrói a passarela, porém há uma travessia de nível aberta oficialmente,  admitindo-se que os moradores precisam passar por ali”. 

O bairro dos Lopes é cortado pela Anhanguera. A Artesp e AutoBAn se apegam ao contrato de concessão,  em vigor há quase 20 anos,  e está defasado pois não previu o aumento de circulação de veículos ao longo dos anos. Esses órgãos consideram apenas que o fluxo de pedestres que cruzam a rodovia deve superar 80 em uma hora para implantar o melhoramento e as verificações feitas não chegam a esse número.

Os participantes da audiência reclamam, no entanto, que os órgãos competentes não observam a outra parte da cláusula que diz que a passarela pode ser feita em locais “onde ocorrerem circunstâncias  especiais que causem graves riscos aos usuários  e aos pedestres”. O gerente de sinalização e Segurança da Artesp,  Carlos Alberto Ferraz Campos,  disse que o órgão não tem recursos previstos para construção dessa passarela, mas deve ser instalado um radar  no trecho dos dois lados da pista.

O representante da AutoBAn,  o diretor técnico Grover Lopes Carvalho,  também só citou ações de  melhoria de sinalização e iluminação,  “seguindo as normas e legislação”. O secretário de Mobilidade Urbana de Limeira,  Rodrigo Oliveira, ressaltou que o valor da passarela,  estimado em R$ 2, 5 milhões,  “é ínfimo perto do que a concessionária arrecada com a praça de pedágio em Limeira”. “A população não tem mais tempo para estudos. É hora de realizar, de fazer a passarela. Quando os órgãos fazem seus estudos, precisam dar atenção ao número de mortes. O que acontece no bairro dos Lopes é uma violação dos direitos de ir e vir. Precisamos de uma atitude rápida. Deixo o desafio para que os técnicos da AutoBAn e Artesp façam a travessia da Anhanguera em horário de pico”.

Vida – O vereador Clayton da Silva, falou em nome dos demais vereadores de Limeira, ressaltando a esperança de uma solução a partir dessa audiência. Ele citou que mais de 35 mil veículos passam diariamente pelo pedágio de Limeira. “O valor que se arrecada é muito alto. Mas quanto vale uma vida? É esse pensamento que temos que ter e definir por uma solução, que é a construção da passarela”, considerou.

Representando os moradores fez parte da mesa Marlene Regina Crepaldi Soares. Ela foi enfática em dizer que a travessia era uma alternativa paleativa enquanto não se implantava a passarela, o que não aconteceu até agora. “Acreditávamos que com a terceira faixa da Anhanguera viesse também a passarela, mas não veio. A colocação das muretas de proteção, sem a passagem, foi uma humilhação para nós. Colocar radar não vai trazer resultados. Temos uma rodovia de alta velocidade passando no meio do nosso bairro. Para trabalhar, estudar, ir ao médico ou à igreja temos que atravessar a pista. Imagina isso para idosos e mulheres com crianças de colo. No período da noite, em dias de chuva ou neblina piora tudo. Há 20 anos pleiteamos a construção dessa passarela para que outras mortes sejam evitadas”.

Durante a reunião foi bastante lembrada a morte do frentista José Luiz Souza Novais, que lutava pela implantação da passarela, dia 11 de maio. Sua esposa e sua mãe estiveram presentes na audiência. O deputado Celso Nascimento completou que, construir a passarela, é “honrar todos os que militaram por essa causa até o momento ou perderam suas vidas”.

Chico Sardelli

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